‘Já se foi aquele tempo da Ladeira irmão!’

Tava, nesses dias de férias, voltando da praia e peguei um caminho que me trouxe lembranças das mais variadas. À medida em que eu subia uma certa ladeira, memórias passavam por mim. Subiam e desciam ao meu lado. Quase que dava pra ouvir as antigas conversas, os afetos de amizade não tão passados.

Pareceu que, por um breve momento, as estações de chuva e sol – porque aqui em Natal só tem essas duas mesmo – se fundiam em um só, na forma de lembranças que congelavam ao meu redor, em formatos quase que ‘3D’.

Algumas imagens eram de tempos não tão idos assim e, noutras memórias, eram anos ‘das antigas’ mesmo.

Incrível como uma simples rota que escolhemos traz de volta ao pensamento as antigas escolhas, as ainda tão presentes decisões. Mas, uma coisa é necessária: entender que algumas coisas ‘já passaram, eis que se fizeram novas’. É preciso dar um passo adiante, mesmo que algumas culpas tentem reviver em você as não tão passadas ansiedades.

É preciso decidir que um determinado tempo já foi. E falo decidir, pois não é uma questão de ‘sentir’. Porque alguns sentimentos tendem a nos paralisar como se aquele dado ‘erro’ ainda fosse real. Como se aquela escolha que resultou em frustração ainda fizesse parte dessa sua vida, que está ainda cheia de novos e antigos caminhos.

Mas, como diz o verso da música ‘Zóio de Lula’, do Charlie Brown Jr, ‘Já se foi aquele tempo da Ladeira irmão’.

Sim, o verso me lembra um apóstolo, que disse que ‘não tinha atingido a perfeição’, mas que uma coisa fazia: “prossigo para o alvo, esquecendo-me do que ficou pra trás” (Filipenses 3:13-14).

Os sentimentos, na maior parte das vezes, paralisa você. As antigas decepções, frustrações – com você mesmo e com os outros, as ladeiras de decisões equivocadas parecem ganhar forma. Parece que, em certas ocasiões, elas ganham músculos e tendões, pele e rosto, e crescem diante de você como se fossem ainda reais naquela ladeira, naquele caminho.

Mas, respira. Há uma decisão a tomar. Seguir!

Sim, não deixe que a linguagem dos dogmas e da religião opressora dê o nome de ‘culpa’ ao que já foi perdoado.

Não se deixe ‘sentir’ como um excluído ou fora de Deus, porque, a pretexto da ‘disciplina’, religiosos se colocam como pessoas acima do céu e da terra. Não. Ele veio para pessoas reais, de carne e osso, que erram e acertam nas ladeiras da vida.

Não permita que os patamares e pódios da falsa e neurótica ‘santidade’ te paralisem, como se um erro fosse diferente dos outros. Como se um ato fosse diferente de algo que apenas não foi feito mas que nasceu no coração de quem julga.

Sim, já se foi esse tempo. Prossiga! Não permita que o passado se cristalize na forma de cobrança ou trauma emocional. A hora vem e já chegou em que compreenderão que o caminho e as ladeiras são de ‘glória em glória’, passo a passo. Não se cobre demais. “Que ninguém pense de si mesmo, além do que convém”, disse o mesmo apóstolo. Um Paulo que prosseguia, enquanto a igreja oficial tentava paralisá-lo.

Não deixe que aqueles que se julgam sábios e ‘maduros’ te impeçam de avançar como uma criança, numa alegre e saudável ‘imaturidade’.

Só pra pensar mesmo. Sem nenhuma pretensão a mais!

Em Jesus, que não só passa o passado, como em quem ‘as coisas se fazem novas’!

Bira